Área Coleções
Microbiológicas
A utilização
de microrganismos na busca de
soluções nas áreas
de alimento, saúde, meio
ambiente e indústria
vem crescendo de forma acelerada
no atual cenário mundial.
O conhecimento da biodiversidade
e bioprospecção
de novos microrganismos tornaram-se
uns dos focos principais da
era biotecnológica.O
material biológico representa
hoje um novo insumo tanto no
ambiente da pesquisa e desenvolvimento
quanto nos processos produtivos,
cujo tratamento requer a implementação
de um sistema que permita assegurar,
para todos os efeitos, que um
dado material biológico
mantenha as características
nele identificadas ou a ele
atribuídas. Neste contexto,
as coleções de
culturas microbianas desempenham
um papel relevante na conservação
ex situ (preservação),
distribuição e
identificação
de recursos genéticos
microbianos, bem como na organização
e disponibilização
de informações
associadas aos seus acervos.
Nos países
desenvolvidos, as coleções
microbiológicas estão
passando por um processo de
readequação tecnológica
e gerencial, visando incorporação
de novos métodos e processos,
que permitem a rápida
caracterização
e documentação
do acervo, assim como a introdução
de procedimentos gerenciais
que permitem a rastreabilidade
do processamento das amostras
e informações
associadas (link para Vazoller
& Canhos). No Brasil, país
mega-diverso, detentor de mais
de 10% da diversidade global,
a situação das
coleções biológicas
está muito longe de ser
considerada adequada. Muitos
dos acervos existentes encontram-se
em condições precárias
de manutenção,
em decorrência de problemas
de infra-estrutura física
ou da falta de recursos humanos
especializados (link para NT-Lara).
Embora o Brasil se destaque
no quadro internacional pela
capacidade institucional quando
comparado com outros países
em desenvolvimento, o sistema
existente de coleções
de serviço é ainda
bastante incipiente, em razão
da falta de uma política
adequada.
Atualmente,
duas importantes iniciativas
do governo brasileiro estão
sendo direcionadas para o setor
de Coleções Biológicas:
o Programa de Modernização
de Coleções Biológicas
Brasileiras intitulado “Diretrizes
e Estratégias para a
Modernização de
Coleções Biológicas
Brasileiras e a Consolidação
de Sistemas Integrados de Informação
sobre Biodiversidade”,
e o Programa Nacional de Capacitação
em Taxonomia.
O Programa
de Modernização
de Coleções Biológicas
tem como objetivo central estabelecer
um plano estratégico
para a consolidação
de uma rede integrada de coleções
biológicas no Brasil.
Para isto, o governo representado
pelo Ministério da Ciência
e Tecnologia-MCT e Centro de
Gestão e Estudos Estratégicos
–CGEE, buscou a parceria
das sociedades científicas
de Botânica (SBB), Zoologia
(SBZ), Microbiologia (SBM) e
do Centro de Referência
e Informação Ambiental
(CRIA) a fim de coordenar o
processo de discussão
do tema em suas respectivas
áreas. Foram encomendados
documentos setoriais (disponíveis
no site: http://www.cria.org.br/cgee/col/documentos)
que contaram com a colaboração
de setenta e sete profissionais
da área de Coleções
e Taxonomia. Paralelamente,
foi lançado o Programa
Nacional de Capacitação
em Taxonomia (CAPES e CNPq),
que tem como principal objetivo
estimular a formação
de recursos humanos em Taxonomia
e Curadoria. A meta do Programa
de Taxonomia é promover
a formação de
60 doutores na área de
taxonomia no prazo de 5 anos,
aumentando em 46% a capacidade
instalada no Brasil.
Tendo em vista
a importância do tema,
a Sociedade Brasileira de Microbiologia
(SBM) criou a área de
Coleções de Culturas
em seu último Congresso
(CBM 2005) realizado na cidade
de Santos (SP), com os objetivos
principais de contribuir para
o avanço da ciência
e tecnologia e estruturação
de uma política nacional
para o setor.
Em adição,
a SBM está apoiando e
assessorando a estruturação
do Centro Nacional de Depósito
de Material Biológico,
o qual será gerido de
modo cooperativo pelo Instituto
Nacional de Propriedade Industrial
(INPI) e o Instituto Nacional
de Metrologia (INMETRO) e possui
como objetivos principais: prover
o País de uma infra-estrutura
necessária para o depósito
de patentes no campo da biotecnologia,
e contribuir para a organização
de uma infra-estrutura de serviços
que permita a oferta de material
biológico certificado
de acordo com os requisitos
internacionais de rastreabilidade
e segurança (link para
o texto do Jorge Ávila).
Gostaríamos
de salientar que, como coordenadoras
da área de Coleções
de Culturas da SBM, aguardamos
a participação
e as contribuições
da comunidade de profissionais
microbiologistas para a ampliação
da área junto à
nossa Sociedade, bem como para
o avanço do tema em nosso
país.
Lara Durães Sette &
Rosana Filomena Vazoller
Coordenadoras
da Área de Coleções
de Culturas
Sociedade
Brasileira de Microbiologia
– SBM